Ainda me tens que explicar como cresceste tanto. Não falo de tamanho, de músculos, de presença ou de sentido de oportunidade; não falo da tua crescente capacidade argumentativa ou das lutas que, hoje, tens coragem para enfrentar, falo sim de ti. Eras uma criança, eu também o era, ainda sou talvez. Para ti um segundo era uma vida e os sonhos confundiam-se com a realidade. Tinhamos a nossa aura misteriosa, inigualável, impenetrável até um dia. Arrependo-me, sabes o quanto me arrependo, mesmo que não seja bonito juntar tais palavras. Talvez não me arrependa só de mim, do que fui, do que fiz, do que pensei e levei avante, mas também me arrependa, e em grande escala, de ter visto aquilo, não aquele mas aquilo, em que te tornaste. Existiu, e por muito que queiras, talvez vá estar sempre à porta, pronto a saltar e atacar de novo, sem controlo, o mundo que à tua frente se ponha. Vi, hoje sei que não queria.
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